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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Artigos: Reflexões sobre Educação


“Mestre não é aquele que ensina, mas quem de repente aprende” (GUIMARÃES ROSA, Grande Sertão: Veredas apud SILVA, 1982)

Como pudemos perceber, o próprio título já é uma suposição clara do assunto ao qual se refere o livro em resumo: OS (DES) CAMINHOS DA ESCOLA – traumatismos educacionais; Refere-se exatamente ao que sugere: - aos traumas sofridos pela educação brasileira, de um modo geral.
Se nós formos avaliar o significado da palavra DESCAMINHOS, teremos a seguinte definição, segundo um dos dicionários ortográficos brasileiro: - Extravio, sumiço. Desvio do bom caminho Moral. - Agora sim, chegamos a um determinado ponto específico, pois avaliando essas definições, percebemos sobre o que o livro quer nos dizer. E nos deixa bem claro, quais os distúrbios sofridos pela educação brasileira durante décadas em seus cronogramas curriculares e educacionais em nível nacional, estadual, municipal e até mesmo regional e institucional.
Em cada um dos capítulos que o autor nos traz nesse livro de leitura “leve” -  leva em conta os professores que estão exaustos, após a sua dezena de aulas diárias - ele se refere a questões cotidianas do sistema escolar, das instituições e dos professores. Relataremos cada um dos capítulos, de uma forma simples, transportando os relatos para o nosso dia-a-dia, e a nossa vivência, como já educadores ou futuros pedagogos. Não esquecendo que o livro proposto foi editado no ano de 1982, e que algumas coisas podem ter mudado de lá para cá, ou que para nossa satisfação e alegria do autor (pela possível conquista através desta leitura) muito se tenha avançado nessa área ainda decadente através de estudos, pesquisas, leituras, lutas e conquistas. 
Veremos nesse trabalho universitário, que no livro, “o autor apoiado na sua experiência e servindo-se da intuição, descreve algumas das mazelas que caracterizam a escola brasileira.” (SAVIANI, São Paulo, nov./78. apud SILVA, 1982)
Mazelas estas que explicitam o significado real da palavra em sua tradução, pois as manchas na reputação são carregadas pelos alunos, professores e escolas; que até são usadas e servem como não modelos de educação.
Ainda, segundo SAVIANI (São Paulo, nov. p.78, apud Os descaminhos da escola, 1982. p.  10), “se isto tem a vantagem de propiciar uma identificação (...) um clima emotivo preliminar favorável ao despertar da consciência, por outro lado corre o risco de não provocar o despertar e, menos ainda, o desenvolvimento de uma consciência crítica. Com efeito, o clima favorável pode se dissolver nos queixumes e lamentações reforçando nos professores o sentimento de vítima justificando o ‘lavar as mãos’.”
Se o alvo principal ao qual se destina a obra não souber usufruir devidamente desse rico material, que é um “grito de alerta” para a classe educacional, com certeza, não será culpa de má interpretação das palavras que a obra contém, e muito menos, culpa do autor, porque o professor Ezequiel T. da Silva, usa uma linguagem muito clara e específica, diretamente perceptível, com um texto descontraído, e informal, que mexe com a nossa consciência, levando a um pensar incisivamente sobre o cotidiano escolar, e a prática exercida. Devemos deixar bem claro, aos destinatários da obra, que de nada adianta simplesmente pensar e aí estacionar - na reflexão pura e simples - mas devem AGIR, ATUAR, PROPOR, FAZER e CONSTRUIR! Se é que desejam ver avanços na educação e melhoras efetivas nas causas reais da ignorância, opressão e alienação.
Sabemos que, só assim, com a classe dos professores agindo, atuando, propondo, fazendo, e construindo, conseguiremos chegar a um exemplo de educação e não mais, apenas copiar os exemplos de educação dos quais temos conhecimento, que ouvimos falar ou que deu certo em algum outro país. Para que consigamos delinear os “caminhos” da escola, superando os “descaminhos” e seus problemas existentes.
“PROCURA-SE: ‘um método milagroso ou uma técnica santa para curar todos os males da educação brasileira!’ QUESTIONA-SE: ‘a cura para problemas de ensino e aprendizagem deve ser procurada, única e exclusivamente, no método utilizado pelo professor?’ LAMENTA-SE: ‘será que os professores brasileiros perderam o bom senso ou  será isto um problema de má formação mesmo?’.” (SILVA, 1982)
Muito se têm discutido em palestras, cursos, simpósios, congressos, reuniões de professores, entre outros..., sobre qual seria a técnica correta, ou a melhor técnica para se aplicar em nossas salas de aulas. Muitas vezes superlotada, com alunos vazando pelas janelas; e os professores se perguntam, como trabalhar devidamente nossos alunos? numa turma heterogênea, com portadores de necessidades especiais e até crianças hiperativas. Trazendo de casa “bolsas” com gritantes diferenças que variam desde costumes à educação. Impulsionando os educadores, cheios de interrogações para que façam uma escolha vaga, no “escuro”, que se poderá se tornar falha; pois muitas vezes as técnicas educacionais são adotadas por estarem na moda, e na verdade tornam-se deficientes quando o educador não sabe aplicá-las adequadamente, não consegue transpor para sua prática diária, para as reais necessidades dos seus alunos. 
E agora! Já fizeram a escolha, que “dedocraticamente” era a melhor, então, como transmiti-las para os alunos? Se os professores mal sabem como é essa nova técnica que escolheram, e conseqüentemente, desconhecem como trabalhar adequadamente em sala. Não estabeleceram objetivos na hora da escolha da técnica que utilizariam, e nem ao menos os sabem estabelecer, enfim, não pensem que será utilizando-se de uma técnica “miraculosa”, que deu certo em vários países, e já foi supercomentada até recomendada por renomados educadores, eles conseguirão resolver seus problemas de “ensinagem”. E não é porque que muitos outros profissionais que eles conhecem já aplicaram essa mesma técnica e conseguiram bons resultados, evidentemente funcionará para eles. 
Para muitos não faz diferença entre qual método utilizar, o importante é estar empacotada, é vir com o “kit completo” (com o manual de instruções); desde que já esteja pronta para usar, e deixe os alunos estátuas em suas carteiras do tradicionalismo, está sendo adotada.             
E a busca dos professores continua, em um “método solução” para todos os problemas educacionais. Preocupados com o “como ensinar”; acabaram soterrando com os novos métodos todas as expectativas com o “que ensinar” e o “por que ensinar”. 
“Que técnica...? Que meio...? Que recurso...? Que estratégia...? Que procedimento...? De que jeito...? A técnica-panacéia (...) Se ‘na moda’, então deve ser implementada. Não importa o contexto de origem – Se ‘nova’, então deve ser adotada. Para que saber dos resultados? Se ‘motivadora’, então deve ser praticada. Funcionou lá, também vai funcionar aqui – Se ‘falada’, então deve ser generalizada. Abaixo as reflexões críticas do professor – Se ‘empacotada’, então deve ser imediatamente adquirida.” (SILVA, 1982) 
Em uma conclusão a esse capítulo, podemos afirmar que: todos os métodos de ensino são eficazes quando se têm educadores que saibam avaliar e saibam coerentemente utilizar os novos métodos adotados. Que compreendam com clareza o “que utilizar”, e não deixem de fora o “como” e o “por que” devem utilizar tal método de ensino em suas aulas. Lembrando que um aproveitamento favorável vai do bom desempenho dos professores, e não somente, mas também da vivência dos alunos em comparação ao método aplicado, evitando possíveis choques de realidades. Vale ainda ressaltar, que qualquer técnica de ensino encontra seus fundamentos numa psicologia educacional, que por sua vez encontra seus fundamentos em uma filosofia.
Um retrato da vida de um professor de ensino médio e fundamental; com a ajuda dos relatos do autor vamos, fazer um “Raio X” da rotina de muitos dos nossos professores em sua longa jornada diária de trabalho.
Fato verídico é que; o dia-a-dia de um professor não é nada fácil, muitas vezes dá suas aulas em uma, duas, ou até mais escolas, fazendo um verdadeiro contorcionismo para honrar com seus compromissos, pois além de todo o esforço do professor existem muitas outras questões em jogo. Como a pontualidade do professor, o planejamento das aulas aplicadas (sempre que possível, prévia e ecleticamente, planeja seus conteúdos), as avaliações dos alunos, e sem contar nos baixos salários, que na realidade é o  que impulsiona os professores a fazerem essa maratona diária; pulando de escola em escola para aumentar um pouco mais a sua renda mensal. O seu orçamento não acompanha a proporção dos preços, custos e gastos que aumentam diariamente.
Ecleticamente – Método que reúne e harmoniza teses de correntes de pensamento diferentes. Sem nenhuma corrente ou doutrina para seguir como base, mas aproveita de todas aquilo que considera melhor.
O professor é um verdadeiro ator, mesmo enfrentando diversos problemas particulares, chegando em sala, tem que manter a tranqüilidade, a simpatia; relevando risos e palhaçadas, brincadeiras e falta de atenção, mantendo sempre o bom humor. Esquecendo até das suas questões pessoais, e como diz o ditado “deixem a vida de vocês lá fora...”. Vamos ainda mencionar a carga horária, um problema que está presente em todas as disciplinas e, “Conforme transcorre  o dia, os alunos vão recebendo aula, três quartos de aula, metade de aula e nenhuma aula, embora o aluno também sai prejudicado, sem ser culpa do professor, mas pelo desgaste diário que ele sofre.” (SILVA, 1982) E os professores devem ser de fato verdadeiros atores! Ou será que deveriam ser artistas de circo?           
Os índices de evasão escolar são grandes, mas neles não estão só os alunos, pois os professores estudavam em instituições universitárias, não estudam mais. Chega ser um fato assustador. Mas as péssimas condições que o professor tem de enfrentar o obrigam a deixar os estudos e muitas vezes até o  magistério. Segundo SILVA, (1982) “ ‘se ficar no magistério é porque é ruim ou é louco’, ‘status do professor já era’,  ‘ensinar é dom e sacrifício’, ‘o trabalho dos professores não traz divisas para o país’.”
“Lembrando Euclides da Cunha: o professor brasileiro é um forte. Forte em dois sentidos: figurado e não figurado. No primeiro, porque luta contra diversas situações aversivas, que o impedem de cumprir adequadamente as suas funções sociais. No segundo, porque levanta por necessidade, uma série de muralhas ao seu redor. E é impedido de atualizar-se, é impedido de trocar idéias com outras pessoas, é impedido de renovar é impedido de pensar e, o pior de tudo, é impedido de viver como ser consciente.” (SILVA, 1982)
Mas existem ainda professores que lutam e são fortes por dois. Pois são cercados de situações antipáticas, contra as quais travam uma constante batalha, e de  uma série de muralhas que os impedem de agir, atuar e até expor seus pensamentos. Mas ...Feliz ou infelizmente, ainda acreditam numa reviravolta das coisas. Quando?...


Uma analogia que é usada por vários autores, e possui uma delicadeza singular, é sobre o Médico e o Professor. Com um ditado muito conhecido explicitaremos essa analogia. Quando um médico erra, mata um só paciente. Quando o professor erra, congela a consciência de trinta, quarenta, cinqüenta ou mais alunos, de uma só vez. Pobres alunos... já não bastava a barafunda metodológica? Concluindo, para SILVA, (1982) “pode-se inferir que o erro pedagógico também é um instrumento mortal. (...) talvez seja tão ruim ou até pior que a própria morte física”. 
Apesar das várias comparações existentes entre as funções de médicos e de professores, em nenhuma delas foi mencionado o fato de que o médico também precisou ir a escola para que hoje ele tenha o direito de usufruir seu diploma, e que possivelmente  esteve sentado entre os trinta alunos, ou mais, que estavam sob orientação de um professor assassino.
Um dos fatores que muito impulsionou a demanda de professores mal-formados, foi a grande ploriferação das “faculdades de fim de semana”, onde “quem paga passa!”, onde freqüentam “alunos pára-quedistas”. Contribuindo para inflacionar mais o mercado de trabalho, deixando sempre aquela velha impressão, que todos os professores de um modo geral são assassinos, e não há faça um bom trabalho educacional. Nessas “instituições de ensino” a rotatividade de professores é muito alta, devido à incoerência do sistema com: classes superlotadas; currículos desmantelados; baixo nível de ensino; gerando por fim, profissionais (de todas as áreas) sem qualquer base formativa e/ou informativa. Mais uma contribuição para que a sociedade olhe de esguelha para os profissionais recém-formados.           
E na área da educação, isso tem colaborado e muito para que os alunos em questão de conhecimentos, regridam efetivamente, tem contribuído para a alienação e maior dependência dos professores por parte dos alunos. Nascem aqui evidencias reais daquele velho texto, O GAROTINHO – Anexo A.           
Retificando a idéia do autor, podemos afirmar que, quando ele se refere as “faculdades de fim de semana”, elas ainda estavam em fase experimental e pouco havia de proveitoso para se extrair delas. Mas hoje a realidade é outra, essas tais faculdades são utilizadas como um recurso alternativo, para quem trabalha durante a semana inteira e pode então dedicar-se aos estudos em regime especial, sem perder a qualidade de ensino e aprendizagem. Formando-se ao final um profissional bem formado e informado.           
Conheça o “pedagoguês”, um dos contribuintes para a má formação de professores, possui uma cartilha com uma lista de chavões tradicionais, em frases como: “preparar o aluno para viver em sociedade”, “levar o aluno à criatividade”, “formar o bom profissional”, etc... - usadas principalmente na formulação de objetivos. São sentenças  decoradas ou copiadas de livros e aulas de didática. Os planejamentos primam pela redundância, pois muitos dos professores nem refletem sobre o que estão escrevendo, ou sobre o que significa tais afirmações.           
Há grande repetição de conteúdos e planejamentos de um ano para outro, pela falta de criatividade são recicláveis, sem serem modificados ou adaptados, ou seja, simplesmente reaproveitados. Sem flexibilidade e avaliação “naquilo” e “daquilo” que se planeja.
FLEXIBILIDADE - permite substituições e re-seqüênciação  dos conteúdos, conforme a necessidade dos alunos.
AVALIAÇÃO – permite refinar ou esmerar aquilo que foi mais eficaz no processo de ensino aprendizagem.
A seleção de conteúdos para os planejamentos anual, mensal, semanal, ou ainda que seja diário, deve ser minuciosa, pois, se o professor usar livros antigos, ele vai estar preparando o seu aluno para uma sociedade do passado. Atrasada, desvinculada do presente, da real situação dos nossos alunos. Gerando uma simples ‘reprodução’, o ‘não-avanço’ da sociedade, a ‘não-transformação’ cultural.
Quanto às expectativas sobre o nível de conhecimento dos alunos, os professores devem levar em conta os conteúdos que supostamente seus alunos já conhecem, ou seja, conhecimentos anteriormente adquiridos, e “a partir daí”, elaborar seus planejamentos; a escola deve, em fim, atender aos critérios da unidade e continuidade, em seu currículo.           
E com tantos problemas o que vem em mente é um trecho do poema, LIBERDADE, de Fernando Pessoa: “Estudar é uma coisa em que está indistinta a distinção entre nada e coisa nenhuma”. (PESSOA apud SILVA, 1982)
Abaixo as Muralhas da Universidade
Agente colaborador para a crise da educação brasileira é a criação da barreira (mesmo que invisível) existente entre as escolas de ensino médio e fundamental, e as universidades, pois gera, o “lavar as mãos” e o “jogo do empurra-empurra”, freqüentemente usado como desculpas para o afastamento. Veja agora uma frase que segundo o autor, martela em sua consciência, “Mas se a gente não for às escolas de ensino médio e fundamental, os professores de lá nunca virão até nós!”
Vamos enumerar agora mais alguns dos tais colaboradores para que seja mantida essa grande muralha entre as instituições escolares:
1.  A necrose metodológica e informacional dos professores - muitos estacionam no tempo, não buscam, não refletem e muito menos agem.
2. O tipo de ensino proposto aos diferentes níveis educacionais – falta de um padrão educacional entre os níveis de ensino, o que não pára por aí, essas diferenças também nas instituições, programas regionais e chegam às classes sociais, causando exclusões.
3. As manchas institucionais que se fazem presentes nos currículos - pois quando uma instituição  educacional, sofre uma desmoralização, dificilmente se libertará da má fama sobre seus currículos.
4. A desvalorização dos professores - um fator incisivo, pois a falta de valorização conseqüentemente leva a falta de motivação e restando para os alunos a falta de aprendizado.
5. O despreparo dos alunos ao entrarem para a faculdade - isso é um reflexo da questão anterior pois os alunos deixam de aprender e os professores deixam de ensinar.
6. A mudança constante das informações dos dias atuais - a crescente evolução da informática, leva a um avanço entre as comunicações e seus meios de efetivação, o que se torna desproporcional diante dos professores, e escolas, pois não apresentam recursos financeiros suficientes para acompanhar tal evolução e acabam se tornando arcaicos.
A universidade está alheia ao que acontece com as escolas de ensino médio e fundamental... Enquanto os professores de ensino médio e fundamental ficam no isolamento, utilizando-se unicamente de reproduções... 
Vejamos agora a real interpretação do verbo SERVIR, e teremos a seguinte definição, segundo um dos dicionários ortográficos brasileiro:  1. SERVIR – “estar a serviço de; ser útil a; estar às ordens de”. Significa que os professores de universidades, devem estar a serviço dos professores do ensino fundamental e médio, auxiliando-os. 2. SERVIR – “aproveitar-se de; usar; utilizar-se de”. Significa que os professores do ensino médio e fundamental devem fazer uso das pesquisas, dos serviços, dos instrumentos e meios que a universidade proporciona.           
A distorção do verbo “servir”, acaba gerando resultados drásticos no campo educacional. E no momento única ligação existente entre as escolas de ensino médio e fundamental e as universidades, é a pesquisa. Pois é de lá das universidades, que de vez em quando saem pesquisadores de campo, para desenvolverem estágios de observação ou mesmo de intervenção e “vem aqui colocar defeitos no meu ensino” (frase que segundo o autor é falada pelos professores em referencia aos estagiários, ou pesquisadores). Que acabam por serem vistos como empecilhos, e não como auxiliadores do trabalho dos professores de ensino médio e fundamental. 
Na visão do pesquisador educacional, surgem críticas quanto à receptividade dos professores e escolas em relação às investigações, e investigadores pedagógicos. E que a maioria das investigações realizadas, pecam pela falta de continuidade e acompanhamento onde foram coletados os dados de origem.
Como fim trágico, a reprodução dos relatórios de pesquisa continua sendo a mesma, tanto de um lado como de outro, ou seja, tanto do tipo de levantamento feito, como do tipo de ensino proposto aos alunos.            
Não devemos generalizar, pois hoje já existem bons pesquisadores e  profissionais dispostos a contribuir para o bom desenvolvimento de tais pesquisas de campo. Vamos esclarecer que estamos falando de um livro editado em 1982, e mesmo que poucos mas significativos avanços já ocorreram em nossa educação. Graças aos professores, e pesquisadores e universitários que apresentam um real interesse na melhoria do ensino.           
O que não podemos fazer é restringir os meios de acesso e comunicação entre as universidades escolas de ensino médio e fundamental. Pois ambas dispõem de muitos outros meios para desenvolverem possibilidades de trabalho em conjunto.           
Devemos saber aproveitar os estudos e as pesquisas desenvolvidas, e aplicá-las a realidade escolar dos nossos alunos. Esquecer as velhas frases, que nada ajudam, mas desmotivam para um bom desempenho do trabalho educacional. 
Temos que saber tirar proveito dos estudos que estão dentro da realidade dos nossos alunos para enriquecer nossas aulas, excluir o que está desvinculado da realidade, e produz pouco efeito na prática concreta.
Nós como futuros pedagogos, devemos aprender tirar proveito do que nos é oferecido. E  desvincular dos discursos pedagógicos a frase “Formar  nossos alunos críticos e pensantes, com uma visão realista de mundo.”, e transportando-a para nós mesmos e nosso próprio uso na íntegra.
Pode mos afirmar que a exigência da escolaridade para o exercício do trabalho sempre foi uma imposição injustificável; pois no país onde moramos, sabemos que nossa educação é precária e vem a passos lentos progredindo; e ainda assim é um privilégio de poucos. Hoje, ainda existe trabalho infantil, trabalho escravo e evasão escolar por inúmeras questões sociais anteriormente citadas, nos levando a crer na exclusão, por parte das empresas, para a maioria das classes menos favorecidas.
Para SILVA,(1982) “A exigência de escolaridade é privilégio – a escolaridade (...) não assegura competência assim como o nível universitário não corresponde a saber e, muito menos, atualização de saber.” Dessa forma, as exigências das industrias capitalistas, acaba por denegrir as funções das instituições escolares e da universidade, distorcendo seus verdadeiros fins.
E nesse ponto não podemos discordar da idéia do autor, pois às vezes, vale mais uma experiência adquirida no dia-a-dia, do que um pedaço de papel que é ganho na universidade, que não assegura em nada se quem o possui tem as habilidades básicas para desempenhar adequadamente o trabalho para qual se dispõe a ocupar.
As universidades, e as escolas,  não devem se preocupar em formar profissionais para a mão-de-obra capitalista. A existência da escola não se justifica unicamente para as indústrias; devem para tanto, buscar seus objetivos empregando suas reais funções; estar questionando, conscientizando, transformando, conquistando um lugar nessa sociedade injusta da qual fazemos parte. Pois a educação para o trabalho apresenta unicamente dimensões políticas e sociais.           
A educação não deve ficar somente em um recinto fechado – as salas de aulas; ela é uma atividade que deve ser exercida livremente. Não existem limites para a verdadeira educação; a não ser, as aptidões individuais. Lembrando que, a educação nunca foi domesticação do homem para o trabalho, mas não basta só estudar, com o trabalho também se aprende coisas novas e atualizadas;  logo o estudo e o trabalho andam juntos.
Deveras não deveria ter tanta importância o “canudo universitário” ou o “diploma” de ensino médio, para garantir um lugar no mercado de trabalho, deveria  sim ser levado em conta os conhecimentos do indivíduo em várias áreas de desenvolvimento, partindo daí uma avaliação sobre as condições de realização para o trabalho proposto.           
Segundo SILVA, (1982) “Em sua obra A universidade necessária, Darcy Ribeiro, afirma que o principal objetivo do ensino superior é o desenvolvimento da consciência crítica. Ela não deve ser desvinculada da sociedade circundante: se a situação social oprime, ela deve lutar contra a opressão; se o regime é injusto, ela deve lutar pela sua politização; se o desenvolvimento do país é reflexo,  ela deve lutar pelo desenvolvimento autônomo; se a mão-de-obra é explorada, ela deve lutar pela não-exploração do trabalho.” Quebrando assim, o círculo opressor. Buscando contradições na própria sociedade; educação não é, e nunca foi, domesticação do homem.
A maioria das vezes as normas linguísticas acabam sendo como propõe o título um problema de comunicação que se resume apenas em meras decorebas, ao invés de ajudar, na comunicação e expressão cultural das pessoas, acaba dificultando, criando barreiras. Veja que para SILVA, (1982) “quem estabelece o que é certo em termos de língua é o falar cotidiano do próprio povo e não aquilo que é fixado em gramáticas normativas. A língua sendo a representação de uma cultura em constante mudança, também se transforma ao longo do tempo – isso acontece em todos os níveis: fonêmico, morfológico, sintático, semântico e progmático.”
As normas linguísticas de certa forma, não deixam de ser uma maneira discreta de explicitar as diferença existentes entre as classes sociais. Regras criadas pela sociedade burguesa, e com seu uso diferencial faz distinção entre ricos e pobres. Esquecendo que a linguagem precisa estabelecer a liberdade de expressão, pois as gírias, e as diferentes formas de comunicação que são usadas no cotidiano nacional, fazem parte da cultura popular.
A pesquisa sempre foi vista com “os olhos” da inquietação do homem diante do que ele desconhece, e tem como intuito realizar investigações, chegando em soluções para devidos problemas da humanidade. Mas, desde que a moda da pesquisa chegou nas instituições escolares, parece ter mudado de sentido, ou seu real valor; de busca ao saber. Seguindo a nova moda, não importa o tipo, natureza ou finalidade da investigação, mas deve ser, simplesmente, conduzida. Muitas pesquisas, depois de prontas são tão pobres e sem fundamentação que não mereciam nem ir para prateleira de uma biblioteca e sim direto para o cesto de lixo. E o que é pior, pois acontece muitas vezes, em que os trabalhos de pesquisa são encomendados pelos pesquisadores-universitários, para serem elaborados por profissionais ilícitos, que realizam a pesquisa sem o mínimo e real interesse em saber sobre as questões das quais se refere o trabalho. Redigem. E entregam “prontas” para os pesquisadores-universitários interessados. Isso quando não ocorre destes elaboradores de pesquisa, simplesmente reformularem seus modelos pré-fabricados, e venderem como um material inédito.
Se bem  que esse mercado tem diminuído significativamente. O fato é que os salários dos pesquisadores-universitários não conseguem acompanhar os preços cobrados para os elaboradores da pesquisa. Outra fuga usada pelos pesquisadores-universitários educacionais está relacionada com a tese de repetir idéias de autores muitas vezes estrangeiros, crescendo a importação da cultura, que nada diz com a nossa realidade; pouco acrescenta ao nosso cotidiano, e menos ainda ajuda a melhorar a nossa atual prática escolar.
Para SILVA (1982) “Um estágio fundamental na superação da dependência é a capacidade de produzir obras de primeira ordem, influenciadas não por modelos estrangeiros, mas por exemplos nacionais anteriores”. Os exemplos nacionais são muito mais fáceis de serem compreendidos, além de sua linguagem simples, discutem sobre  problemas que estão acontecendo em nossa realidade social e cultural.
E muitas vezes sobra para os orientadores auxiliar nas pesquisas, isso quando não acabam ficando com quase toda a pesquisa para fazer. Devemos pensar bem quando formos realizar uma pesquisa de campo, para que não seja mais uma das padronizadas, forçadas, artificialmente elaboradas. Ela tem que ser uma pesquisa que abra caminhos na área pedagógica, de preferência realizada com afinco e por vontade própria não por obrigação. Assim estaremos desenvolvendo um trabalho crítico, organizado e consciente.
Essa analogia, ou melhor, essa discriminação entre as instituições escolares que são freqüentadas por alunos de baixa renda e as que são freqüentadas por alunos de bom nível econômico, nós já estamos cansados de ver, ler e discutir... mas saber que a diferença que existente entre elas é enorme, e desvantajosa principalmente para a classe baixa, quase nunca se é comentado; ou melhor, fica sempre “por baixo do pano”.
“A leitura é de vital importância por ser um instrumento básico para aquisição e retenção de novos conhecimentos, tornando a mente do leitor mais aberta, dando margem a debates com raízes sólidas, fundamentadas em algo mais concreto do que um apenas ‘acho que...’ (...) Nas bibliotecas escolares em geral, há insuficiência de livros, tanto didático como de ficção; existe,  também, falha dos educadores em não saber  incentivar a leitura, apesar da culpa não ser só deles: o erro principia em casa.” (SILVA, 1982)
Além das bibliotecas serem precárias; o que é uma lástima para a educação. Pois é uma fonte riquíssima de saber e talvez o principal ou o único recurso de pesquisa e conhecimentos para os alunos de baixa renda, não basta. Os alunos devem querer saber; Para os pais sobra e deve vir o incentivo maior, primeiramente; E logo vir também dos professores. Buscamos a consciência que só o que o aluno aprende e vê em sala não é o suficiente para uma formação educacional coerente; tem que haver uma continuação, aplicar na prática em casa, tudo o que se aprende na escola.
Nos dias atuais, vemos que o número de bibliotecas existentes cresceu consideravelmente, e que o seu acesso, não está restrito a classes sociais, idades, ou áreas de busca do conhecimento. Muito se tem feito em nosso país, para que essa situação melhore a cada dia mais, proporcionando aos alunos e cidadãos, um meio para desenvolverem bons hábitos de leitura, enriquecimento do vocabulário, e crescimento intelectual.
Com o hábito de ler os alunos adquirem muitos conhecimentos, aprimorando sua cultura; com isso o indivíduo  sai do campo da opinião generalizada para opiniões próprias e críticas. Pode-se dizer que a cultura de um povo está no que ele diz e escreve. Mas para conhecer a cultura é necessário: saber ler, querer ler e essencialmente ter acesso aos livros.
A primeira condição surge através da alfabetização, à segunda tem que partir do interesse dos alunos, desde casa, com ajuda da família, para não deixar a TV, os gibis, as revistas, e o rádio como únicos meios de acesso às informações para seus filhos. Devem ser incentivados à leitura também, na parte de livros educativos.
Geralmente, o que é  visado principalmente na educação brasileira, é a quantidade - talvez por motivos que até são justificáveis - e não a qualidade. Estamos falando da educação nas instituições públicas; onde as salas são superlotadas, os professores sobrecarregados com muitas horas de aulas a serem dadas e acabam não ensinando ninguém. A educação é para todos. Mas com certa ruptura, o ensino para o rico é muito diferente do aplicado para o pobre. Com certeza para o pobre, o que existe de mais significativo é a merenda escolar. Enquanto para o rico, a escola vai a fundo na busca do saber, pois os pais pagam e muito bem todos os meses. E lá na universidade que está cheio de indivíduos da elite? Será que a qualidade de ensino continua a ser um privilégio só para os mais bem sucedidos. Pois o que vimos até agora é que o ensino democrático só existe no papel. Mas discordando um pouco do autor, e analisando as universidades de hoje, percebemos que elas evoluíram muito neste sentido abrindo as portas para todos, sem distinção de raça, cor, credo, idade, ou classe social. Tornando-se mais acessível, e flexível. Notamos que existem meios de ajuda aos alunos mais carentes, e até aos mais arrojados, que elaboram pesquisas dentro das suas áreas de estudo, e pleiteiam bolsas de estudo, para auxiliar no custeio de despesas com mensalidades. E o governo federal também tem dado sua participação para aumentar o acesso às universidades, com o FIES, um financiamento para estudantes; e com o projeto MAGISTER, que já tem formado muitos profissionais da área de educação, destinado para professores que não tinham habilitação específica.


um diagnóstico com o aluno Universitário  
“Existem quatro tipos de leitor. O primeiro é como uma AMPULHETA: a leitura, sendo a areia, desaparece sem deixar vestígio. O segundo é igual a uma ESPONJA: embebe-se de tudo e devolve exatamente aquilo que sugou. O terceiro parece um COADOR: retém somente aquilo que não presta. O quarto é como um MINEIRO das minas de Golconda: joga fora o inútil e retém somente as gemas mais puras.” (COLERIDGE apud SILVA, 1982)
A leitura é fundamental para enriquecer os nossos conhecimentos. Pois como diz a propaganda “Leia mais, ler também é um exercício”, “através da leitura você viaja a mundos interessantes e desconhecidos, descobre um montão de coisas novas.” E falando em propaganda e televisão, não podemos deixar de explicitar as mudanças fundamentais que esse meio de comunicação tem exercido em nossas vidas. Mudanças que vão, desde costumes e tradições a hábitos pessoais ou familiares. Não devemos unicamente fazer uso da televisão ou do rádio, se quisermos ter uma boa comunicação. É de suma importância, adquirirmos hábitos de leitura freqüente, a princípio, devemos estipular alguns horários dentro do nosso dia e reservá-los à leitura. Assim estaremos nos habituando à leitura, aprendendo falar bem e escrever melhor, fazendo um bom uso da nossa linguagem mãe. 
A leitura pode proporcionar a você crescimento pessoal. O direito de escolha, o que se quer ler, e um enriquecimento mental. Sem o mau hábito de repetição massificada, repassada pela TV, rádio entre outros. Adquirimos uma visão ampla e crítica, sempre tendo algo novo a compartilhar.
E é óbvio que para isso existem alguns pré-requisitos a serem preenchidos:
1.Desenvolvimento De Atitude Positiva Frente À Leitura – tome consciência de que o ato de leitura contribui para o seu autodesenvolvimento.
2.Desenvolvimento Do Hábito De Leitura – dedique parte de seu tempo para leituras seletivas e críticas.
3.Consulta À Fonte Primeira – consulte sempre os livros originais, e não somente a recortes em forma de apostilas.
4.Reflexão Sobre O Material Escrito Proposto – busque além da compreensão das idéias do autor. Adquira termos de comparação.



Um dos hábitos do professor Ezequiel, é fazer um prévio diagnóstico das habilidades comunicacionais dos alunos. Ele sustenta que essa deve ser uma prática entre profissionais para avaliar se o conteúdo programático a ser aplicado, não está muito além ou aquém das possibilidades dos estudantes. Com o diagnóstico em mãos, os professores, poderão verificar se há possibilidades reais para desenvolver os conteúdos elaborados.
O que ocorre em muitas das escolas, até mesmo de nível universitário, é quando os professores em sala de aula, pedem aos seus alunos para elaborarem um texto coerentemente organizado, nessa ora aparecem várias perguntas. Perguntas essas até sem sentido ou de tão simples que acabam sendo banais.
Dar fim a essas questões não é fácil, pois os professores orientam seus alunos para que façam a redação de acordo com seus conhecimentos redacionais, e aí, sujem ainda mais perguntas durante o processo de construção do texto.
É difícil... os alunos não conseguem redigir um texto. E para a agonia dos professores poucas dessas redações são recuperáveis.
Chegamos à conclusão que, os alunos nunca redigiram, em seus anos de escola; deixaram de pensar, possuem meros chavões, idéias materializadas, formulas e modelos prontos. Que chegam a ser um dilema para os professores...
Quando conseguem elaborar algo, é puro reflexo de fórmulas redacionais prontas e memorizadas, com uma linguagem dentro de um único esquema: o narrativo. E ainda têm professores que passam os modelinhos e mandam que os seus alunos apliquem em cima de problemas padronizados. 
E como triste fim, “Os alunos perdem todos os seus atributos humanos para se transformarem em máquinas que memorizam e vomitam fórmulas.” (SILVA, 1982) Passando  a recusar qualquer proposta que exija pensamento e reflexão. Não conseguem ser diferente um dos outros, produzindo sequer um texto que exija o mínimo de originalidade.            
Passaram suas vidas escolares em aulas expositivas, sempre seguindo os mesmos hábitos, os alunos deixam de criar. O que, tornou-se muito difícil agora para que haja uma recuperação, pois não será fácil que os alunos desassimilem um hábito anteriormente adquirido, e “martelado” durante anos de vida escolar.
Pá-lavras...
1. Dirigindo-se para um fim...
O professor Ezequiel, ao finalizar seus cursos (ministrados por todo o Brasil), propõe um relato das suas crenças sobre a educação e a aprendizagem. Fala com seus alunos sobre as suas experiências educacionais. Ou até mesmo sobre coisas na educação, que acredita serem inadequadas.
Com essa prática ao findar suas palestras, tem como pretensão, incutir de uma forma ou de outra, um pouco de consciência sobre educação, em seus alunos. Mas para SILVA, (1982) “Diante da mediocridade educacional deste país, não adianta a educação para o ‘mais ou menos’; estou farto de encontrar meio-educador por aí. Eu só trabalho no sentido de formar educadores perfeitos, ou seja, aqueles que saibam analisar a realidade social deste país!”. E por isso que muitas vezes ele até é taxado como perfeccionista.
Afirma ainda que os alunos somente irão conseguir fazer uma “análise de realidade” quando tiverem incorporado em si, dois valores fundamentais: * iniciativa e responsabilidade. * postura diante da realidade. 
“Liberdade, para mim, é a consciência da necessidade, e é por isso mesmo que exijo o máximo da potencialidade do aluno. Não adianta formar pedagogo pela metade – disso o Brasil já está infestado!” (SILVA, 1982)
A organização cognitiva, e o conhecimento prévio de assuntos é essencial para a assimilação de conteúdos, pois somente indivíduos que possuem, esses dois pontos discriminados em si, poderão analisar o mundo dos fenômenos com efeito, e ainda argumentar sobre conteúdos em estudo.
2. Palavras quase finais...
Os problemas presentes na educação nacional, a função de cada indivíduo como futuro pedagogo e a necessidade de atualização constante, são enfatizados pelo professor Ezequiel. “O responsável pela sua vida é VOCÊ. (...) Haverá continuidade nesse seu abrir-se para uma educação melhor ou você cairá na passividade e massificação em anos futuros? A decisão é somente sua!” (SILVA, 1982)
Mesmo sendo uma tarefa de meses ou até mesmo anos, não é fácil ‘levar os alunos a pensar, questionar e refletir’; e muitos passam uma vida toda e não constroem sua identidade. Com esse “pontapé” inicial o professor Ezequiel, gostaria que seus alunos se formassem bons intelectuais e sucessivamente, formassem intelectuais tão bons ou melhores do que seus alunos.
3. Palavras finais...
Para o autor, já se tornou uma redundância falar em crise na educação brasileira. Se dissermos que há um sistema educacional democrático, estamos permanecendo em falsidade.  Para bater na mesma tecla é só falar na necessidade de conscientização dos professores. Utopia e moral de quinta, é falar em educação popular. Não agir e falar da falta de condições é continuar de braços cruzados; é continuar na eterna passividade. E de nada discordamos dele, pois ainda hoje nos deparamos com essa mesma realidade.
“A letargia do professor brasileiro parece ter virado um estereótipo que já faz parte do senso comum – a opressão e a falta de condições parecem ter-lhes ofuscado o bom senso.” (SILVA, 1982)
Vale ressaltar a idéia do autor de que o “vírus”, está no sistema capengante e não em aulas específicas. E muitas vezes vemos alguns professores “lavando as mãos”, e jogando a culpa em outros profissionais, sem admitir ou ter consciência que o erro já vem desde o sistema. Tornando-se uma grande contribuição para essa realidade professores: * mal formados e mal informados. *sem estruturação de idéias de mundo previamente organizadas para guiar as suas ações. * para os quais a escola deixou de ser uma instituição da sociedade civil com uma função social e política e, assim, conscientizadora e transformadora. * que transformaram o trabalho do magistério em “bico”. * que adotaram a atitude passiva diante da realidade em crise. * que esperam uma solução milagrosa para seus problemas didáticos. *e procuram uma metodologia solucionadora de problemas de ensino. 


Em vista do que aprendemos e pudemos extrair, com essa leitura do professor Ezequiel Theodoro da Silva, podemos chegar em uma conclusão na forma de reflexão, criando um perfil para nós, os futuros professores-educadores e pedagogos. Não para ser usado como uma cartilha, ou receita de bolo, mas para ser analisado, e depois de refletido, ser absorvido para nossa prática tudo que nos seja útil e proveitoso.
- Perfil do Professor-Educador Pedagogo
Como primeiro passo, vamos descobrir se realmente somos professores, se essa é a nossa vocação.
  • Analise seu conhecimento sobre a função de professor.
  • Verifique suas noções básicas sobre psicologia da aprendizagem.
  • Gosta de trabalhar com crianças.
  • É uma pessoa dinâmica, alegre, bem humorada, e criativa.
  • Consegue desenhar, cantar, dançar, mesmo sem ser artista.
  • Procura sempre aprender mais sobre seus alunos, a aprendizagem e faixa etária das crianças.
  • Debate com outros profissionais que trabalham na área.
  • Em seguida, vamos descobrir como é a escola onde vamos trabalhar.
  • Têm canais abertos para contatos com a direção, supervisão e pais de alunos.
  • Como encaminha o processo educativo.
  • Tem uma consciência clara e nítida de uma filosofia educacional, de uma proposta de ser humano a ser desenvolvida e conquistada.
  • Está integrada na comunidade onde está inserida.
  • Percebe os anseios e as necessidades dos professores.
  • Para finalizar conheça como proceder com os alunos.
  • Assuma o compromisso com o dinamismo. Para que possa acontecer de maneira salutar, viva, inesperada...
  • Encoraje seus alunos a demonstrar todas as suas nuances dos sentimentos de amor e respeito pelas outras pessoas: solidariedade, piedade, amizade, admiração, respeito, companheirismo.
  • Assegure ao seu aluno o direito de falar.
  • Toque seus alunos fisicamente demonstrando carinho, aceitação e segurança.
  • Brinque com seus alunos.
  • Não use apelidos para seus alunos.
  • Dê liberdade para os alunos movimentarem-se pela sala.
  • Aprecie o crescimento de seu aluno.
“O bom professor se faz a cada dia, sabemos disso. É um exercitar continuado; é uma revisão consciente das atitudes, das ações, dos conhecimentos. Ou nos concedemos uma freqüente atualização, uma reciclagem, ou o tempo nos ultrapassa e ficamos...”